Metrologia aplicada à indústria: por que medir certo é uma decisão estratégica

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Em qualquer processo produtivo, as medições estão presentes em praticamente todas as etapas, do controle de matéria-prima à liberação do produto acabado. Ainda assim, a metrologia costuma ser tratada como um requisito secundário, ativado apenas quando uma auditoria se aproxima ou quando um lote é reprovado. 

Essa abordagem reativa tem um custo que vai além do retrabalho, afetando prazos, margens e a reputação da empresa no mercado.

O que a metrologia industrial faz, na prática

A metrologia industrial é o conjunto de processos que controlam os sistemas de medição utilizados na produção. A metrologia industrial atua nos sistemas de medição que controlam processos produtivos e é responsável pela garantia da qualidade dos produtos acabados, enquanto medições exatas também podem resultar em inovação, fundamentais para a competitividade industrial. 

Além de qualificar produtos, a metrologia industrial atua na prevenção de quebras e danos aos equipamentos, na segurança dos trabalhadores e no cumprimento de metas ambientais e de produção. Ou seja, ela atravessa verticalmente a operação, não se limitando ao departamento de qualidade.

Rastreabilidade: o que está em jogo quando ela falta

Um dos pilares da metrologia industrial é a rastreabilidade metrológica. Trata-se da propriedade de um resultado de medição pela qual tal resultado pode ser relacionado a uma referência por meio de uma cadeia ininterrupta e documentada de calibrações, cada uma contribuindo para a incerteza de medição. No Brasil, essa cadeia é coordenada pela Cgcre e operada pela Rede Brasileira de Calibração (RBC). 

Medições confiáveis possibilitam ajustes finos nos processos, aumentam a produtividade, reduzem perdas e melhoram o controle de qualidade, tornando a rastreabilidade uma ferramenta para a melhoria contínua. Normas como a ISO 9001, ISO/IEC 17025 e regulamentações setoriais exigem rastreabilidade como condição obrigatória para certificação, e durante auditorias, um dos itens mais avaliados é justamente a rastreabilidade metrológica dos equipamentos e dos certificados apresentados. 

Empresas que operam em setores regulados, como farmacêutico, alimentício e de saneamento, precisam demonstrar essa cadeia de evidências de forma contínua. Não basta ter o equipamento calibrado uma vez: é necessário manter registros, respeitar periodicidades e garantir que os padrões utilizados estejam referenciados a institutos reconhecidos.

O custo real de medir errado

A falta de precisão nas medições tem impacto financeiro direto e mensurável. Quando produtos não atendem às especificações, é comum que custos adicionais de retrabalho ou descarte sejam necessários, além de possíveis investimentos em novos instrumentos de medição. A falta de precisão na medição costuma resultar em produtos fora das especificações, gerando rejeição pelo cliente, queda na reputação da empresa no mercado e perda financeira.

De acordo com a American Society for Quality, empresas podem gastar até 20% de sua receita em custos relacionados à má qualidade, incluindo não-conformidades. Parte significativa desse valor está ligada direta ou indiretamente a falhas de medição que não foram detectadas a tempo. 

Os processos de controle metrológicos promovem aumento na produtividade e redução dos custos com retrabalhos, atrasos na entrega, desperdícios de materiais e força de trabalho, e essa redução de custos permite comercializar produtos a preços mais atrativos. É uma cadeia de ganhos que começa na calibração de um instrumento e chega à margem operacional do negócio. 

Como estruturar um sistema metrológico funcional

Para que a metrologia deixe de ser uma ação pontual e passe a funcionar como parte da gestão, algumas práticas precisam estar integradas à rotina:

  • Inventário dos instrumentos de medição críticos, identificando quais afetam diretamente decisões de qualidade, segurança ou conformidade regulatória.
  • Plano de calibração com periodicidade definida, baseado na frequência de uso, nas condições ambientais de operação e nas especificações de cada instrumento.
  • Registro documental rastreável, com certificados emitidos por laboratórios acreditados pela Cgcre/Inmetro, especificando a incerteza de medição e as condições da calibração.
  • Controle das condições ambientais nos pontos de medição críticos, incluindo temperatura e umidade, que interferem diretamente na confiabilidade de balanças, sensores e equipamentos analíticos. Segundo o Inmetro, empresas que investem em gestão metrológica apresentam até 25% de aumento na eficiência operacional.

A Waterpure desenvolve soluções de controle ambiental e de qualidade da água para operações que não podem se dar ao luxo de depender de medições duvidosas. Fale com nosso time técnico para entender como estruturar essa base no seu processo.

Perguntas frequentes

O que é metrologia industrial?

É o conjunto de processos que asseguram a confiabilidade dos sistemas de medição utilizados na produção, incluindo calibração, rastreabilidade e controle dos instrumentos.

Por que a rastreabilidade metrológica é obrigatória?

Porque normas como ISO 9001 e ISO/IEC 17025 exigem que os resultados de medição possam ser relacionados a padrões nacionais ou internacionais reconhecidos, como garantia de confiabilidade e conformidade.

Com que frequência os instrumentos precisam ser calibrados?

A periodicidade depende do tipo de instrumento, da frequência de uso e das condições ambientais de operação. O fabricante do equipamento e as normas aplicáveis ao setor são as referências principais para essa definição.

Como a metrologia reduz custos?

Ao garantir que as medições sejam confiáveis, ela evita retrabalhos, descarte de lotes não conformes, atrasos de entrega e não conformidades em auditorias, todos custos que tendem a ser significativamente maiores do que o investimento em calibração preventiva.

Wellington Novaes

Diretor Comercial

Sobre o autor

Wellington Novaes, tem 46 anos, casado com Thatiane e pai da Maria Clara. Formado em Administração de Empresas em 2002 e pós graduado em Finanças de Empresas em 2004 pela Universidade Mackenzie. Foi oficial do Exército Brasileiro de 1998 a 2004. Atua na Waterpure desde 2005, na Gestão Administrativa e Comercial.

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